sexta-feira, 8 de junho de 2012

O PREÇO DA CERVEJA AUMENTA NOVAMENTE


SÃO PAULO - A indústria de bebidas ficou descontente com o aumento da carga tributária da ordem de 27% para cervejas e 10% para refrigerantes, anunciado hoje pelo governo federal e publicado no Diário Oficial da União, e afirma que vai rever os investimentos projetados para o ano. De acordo com comunicado da CervBrasil, associação criada no início de maio que reúne Ambev, Schincariol, Petrópolis e Heineken, a medida de hoje 'quebra o ciclo virtuoso de crescimento econômico e social proporcionado pelas indústrias do setor'.
'O reajuste de impostos federais implicará diretamente em repasse nos preços de cervejas e refrigerantes, o que deve prejudicar ainda mais o volume de vendas, obrigando as empresas a rever os investimentos previstos', afirma a associação, no comunicado. O montante total de investimento previsto pelas indústrias para o ano era de R$ 7,9 bilhões, que gerariam 300 mil novos empregos em toda a cadeia produtiva e um incremento de arrecadação orgânica da ordem de R$ 1,2 bilhão. A nova cifra, porém, não foi divulgada. Somente o setor cervejeiro é responsável no Brasil por 1,7% de participação no PIB, gerando 1,7 milhão de empregos.
Ainda segundo a CervBrasil, esta é a maior majoração de tributos 'da historia recente do Brasil' e se sobrepõe ao aumento de 17% aplicado no ano passado. 'O reajuste anunciado deve prejudicar sobremaneira a saúde do setor, que já vinha sentindo os efeitos da desaceleração no início de 2012', declarou a associação, no comunicado.
'O setor está decepcionado com a decisão porque se estava em um processo de discussão técnica de um possível reajuste', ressaltou a CervBrasil. A associação, entretanto, não descarta encontrar uma alternativa ao aumento da carga tributária no âmbito do programa Brasil Maior. 'O setor de bebidas frias segue trabalhando numa proposta de investimentos em desenvolvimento e pesquisa, educação profissional, nacionalização da indústria, produção limpa e inclusão digital e acredita que desta forma poderia contribuir com a construção de país cada vez maior', explicou.
Hoje, o subsecretário de Tributação e Contencioso da Receita Federal, Sandro Serpa, disse que o governo decidiu atualizar a tabela de tributação de bebidas frias (água, cerveja, refrigerante, isotônico e energéticos) para 'aumentar a arrecadação'. Segundo ele, se o reajuste de alíquotas for repassado integralmente ao consumidor, essas bebidas ficarão em média 2,85% mais caras. O aumento dos impostos entra em vigor em 1º de outubro. A mudança deve provocar um impacto de R$ 408,19 milhões na arrecadação federal neste ano e de R$ 2,449 bilhões no ano que vem.

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