Frustração com IPO do Facebook trava lançamentos
Nova York, 27 -
Maior oferta inicial de ações de uma empresa de tecnologia de todos os tempos,
o IPO do Facebook acabou sendo um pesadelo para a gigantesca rede social, para
os bancos envolvidos no processo, para a Nasdaq (bolsa de valores eletrônica),
para investidores e para outras companhias do Vale do Silício que ainda
pretendiam abrir o capital neste ano.
Ninguém esperava
que a Nasdaq conduzisse tão mal o IPO. Tampouco que bancos como o Morgan
Stanley fossem acusados de disseminar informações privilegiadas. Nem que as
ações despencassem em sua primeira semana de negociações. Agora, enquanto a
poeira abaixa, quatro perguntas têm sido levantadas tanto em Nova York como na Califórnia.
Primeiro, como ficará a imagem da Nasdaq para futuros lançamentos de
ações. A Bolsa de Valores de Nova York já começou a se aproveitar do fracasso
do rival no episódio do Facebook para tentar convencer outras empresas de
tecnologia a abrirem seu capital nessa tradicional instituição de Wall Street.
E a segunda pergunta é justamente quantas destas startups estão dispostas a
fazer IPO neste momento, depois de até o celebrado Facebook ter fracassado.
A Corsair, fabricante de componentes para videogames, foi a primeira a
suspender o lançamento de ações no mercado. Alguns analistas, como Paul Sloan,
da Cnet, acreditam que outras seguirão o mesmo rumo. Já Marc Ferran,
articulista da PC World, afirma que 'não podemos descartar novos IPOs quando o
cenário econômico melhorar', acrescentando que o Facebook é um caso a parte.
Nos últimos 12 meses, 173 empresas abriram capital nos EUA, sendo 37 delas da
área de tecnologia.
A terceira pergunta é sobre o motivo de o IPO do Facebook ter sido um
fiasco. Ao longo das semanas que antecederam a abertura de capital, houve
euforia de um lado e ceticismo de outro. Ainda assim, quase ninguém previu que
as ações fossem se desvalorizar tanto em seus primeiros pregões, especialmente
depois de o preço de referência ter sido colocado em seu ponto máximo de US$ 38
em 17 de maio (mais de US$ 100 bilhões de valor de mercado) - uma semana depois,
os papéis eram negociados a US$ 31,92. As informações são do jornal O Estado de
S. Paulo. (Gustavo Chacra, correspondente)