domingo, 21 de julho de 2013

Divulgador da BBom deve guardar recibos para pedir o ressarcimento, recomenda o Ministério Público

Se a empresa for condenada, os valores bloqueados vão ser rateados entre os revendedores durante a fase de execução da ação.
Os associados da BBom devem guardar os comprovantes deinvestimentos para conseguirem reaver ao menos parte do dinheiro que colocaram no negócio, alerta o Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO). Os lucros prometidos, porém, não serão pagos, esclarece o órgão.
A BBom é apresentada como o braço de marketing multinível da Embrasystem, que atua no mercado de rastreamento. Em pouco mais de três meses, o negócio atraiu cerca de 300 mil revendedores, que pagavam taxas de adesão de R$ 600 a 3 mil – cada pessoa poderia comprar mais de um pacote. No último dia 10, a Justiça determinou o congelamento de R$ 300milhões que estão nas contas da contas da Embrasystem , da BBrasil Organizações e Métodos – outra empresa do grupo – e dos proprietários. Também foram proibidas as transferências de mais de cem carros, incluindo quatro Lamborghinis.
A medida, entretanto, também congelou o dinheiro colocado pelos revendedores no negócio. Segundo a procuradora da República em Goiás Mariane Oliveira, ao menos um revendedor apostou R$ 200 mil. Desde então, o MPF-GO tem sido procurado por várias pessoas, muitas descontentes com a medida. O órgão esclarece, porém, que o objetivo do bloqueio é permitir a devolução de ao menos parte do dinheiro a quem investiu de “de boa fé” na empresa.
Para tanto, os procuradores pedirão à Justiça que obrigue a BBom a apresentar “a relação dos associados que adquiriram pacotes, os valores pagos e dados pessoais, para futuro ressarcimento, proporcionalmente ao que foi bloqueado”. Se a empresa for condenada, os valores bloqueados vão ser rateados entre os revendedores durante a fase de execução da ação. “Num primeiro momento a medida parece antipática, mas depois vão nos agradecer”, diz Mariane Oliveira, procuradora da República em Goiás.
Estratégia era semelhante à da Telexfreee
O modelo adotado pelo MPF-GO e pelo MP-GO é o mesmo usado pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) contra a Telexfree . Também suspeita de ser uma pirâmide financeira, a empresa está com as contas congeladas desde 18 de junho. Estima-se que entre 450 mil e 600 mil pessoas tenham dinheiro parado nela. Em ambos os casos, entretanto, é pouco provável que os recursos bloqueados sejam suficientes para ressarcir tudo o que foi investido. Os representantes da BBom e da Telexfree sempre negaram qualquer irregularidade nos negócios.

Por ameaça AfroReggae encerra atividades no Complexo do Alemão no Rio...

O grupo cultural AfroReggae, que desenvolve trabalhos sociais em diversas favelas do Rio, anunciou hoje o encerramento de suas atividades no Complexo do Alemão, após sofrer ameaças ao longo da semana. José Júnior, coordenador do AfroReggae, creditou as ameaças a retaliações sofridas desde que denunciou o pastor Marcos Pereira da Silva, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), em fevereiro do ano passado.
Segundo Júnior, a decisão foi tomada na sexta-feira, após o grupo ter recebido ameaças, na quinta-feira, de que as instalações do AfroReggae na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, poderiam ser alvo de explosão, com a morte de inocentes. No fim da tarde de sexta-feira, Júnior já havia adiantado, pelo Twitter, que teria "péssima notícia" para dar no sábado.
Na madrugada de segunda para terça-feira, um incêndio destruiu o imóvel de três andares onde funcionaria uma pousada do AfroReggae. No mesmo prédio, estava instalada a redação do jornal "Voz da Comunidade", que ganhou notoriedade ao transmitir em tempo real, por meio de redes sociais, a ocupação do Complexo do Alemão em novembro de 2010.
Na ocasião, Júnior já havia acusado o pastor Marcos de estar por trás do incêndio, que teria sido criminoso. Um acusado pelo incêndio foi preso em flagrante. Júnior informou que, depois de quinta-feira, manteve contatos com o governador do Rio, Sergio Cabral, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A Polícia Civil segue investigando o incêndio e irá apurar as ameaças de quinta-feira.
Segundo Júnior, as ameaças foram repassadas por um líder comunitário do Complexo do Alemão, que conversou diretamente com ele. "Se o negócio fosse em cima de mim, não ia mandar fechar não, mas como tem crianças e profissionais inocentes envolvidos, resolvemos não colocar essas pessoas em risco", disse. O coordenador do AfroReggae garantiu que as atividades da entidade espalhadas por diversas favelas do Rio se mantêm.
O pastor Marcos está preso desde 7 de maio, acusado de estuprar duas fiéis da igreja. Ele ainda é investigado pela Polícia Civil por homicídios e ligação com traficantes do Comando Vermelho, facção que dominava o Complexo do Alemão até a ocupação pelas forças de segurança.