SÃO PAULO - A indústria de bebidas ficou
descontente com o aumento da carga tributária da ordem de 27% para cervejas e
10% para refrigerantes, anunciado hoje pelo governo federal e publicado no
Diário Oficial da União, e afirma que vai rever os investimentos projetados
para o ano. De acordo com comunicado da CervBrasil, associação criada no início
de maio que reúne Ambev, Schincariol, Petrópolis e Heineken, a medida de hoje
'quebra o ciclo virtuoso de crescimento econômico e social proporcionado pelas
indústrias do setor'.
'O reajuste de impostos federais implicará
diretamente em repasse nos preços de cervejas e refrigerantes, o que deve
prejudicar ainda mais o volume de vendas, obrigando as empresas a rever os
investimentos previstos', afirma a associação, no comunicado. O montante total
de investimento previsto pelas indústrias para o ano era de R$ 7,9 bilhões, que
gerariam 300 mil novos empregos em toda a cadeia produtiva e um incremento de
arrecadação orgânica da ordem de R$ 1,2 bilhão. A nova cifra, porém, não foi
divulgada. Somente o setor cervejeiro é responsável no Brasil por 1,7% de
participação no PIB, gerando 1,7 milhão de empregos.
Ainda segundo a CervBrasil, esta é a maior
majoração de tributos 'da historia recente do Brasil' e se sobrepõe ao aumento
de 17% aplicado no ano passado. 'O reajuste anunciado deve prejudicar
sobremaneira a saúde do setor, que já vinha sentindo os efeitos da
desaceleração no início de 2012', declarou a associação, no comunicado.
'O setor está decepcionado com a decisão porque
se estava em um processo de discussão técnica de um possível reajuste',
ressaltou a CervBrasil. A associação, entretanto, não descarta encontrar uma
alternativa ao aumento da carga tributária no âmbito do programa Brasil Maior.
'O setor de bebidas frias segue trabalhando numa proposta de investimentos em
desenvolvimento e pesquisa, educação profissional, nacionalização da indústria,
produção limpa e inclusão digital e acredita que desta forma poderia contribuir
com a construção de país cada vez maior', explicou.
Hoje, o subsecretário de Tributação e
Contencioso da Receita Federal, Sandro Serpa, disse que o governo decidiu
atualizar a tabela de tributação de bebidas frias (água, cerveja, refrigerante,
isotônico e energéticos) para 'aumentar a arrecadação'. Segundo ele, se o
reajuste de alíquotas for repassado integralmente ao consumidor, essas bebidas
ficarão em média 2,85% mais caras. O aumento dos impostos entra em vigor em 1º
de outubro. A mudança deve provocar um impacto de R$ 408,19 milhões na arrecadação
federal neste ano e de R$ 2,449 bilhões no ano que vem.